quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A morte do cacique Kaiowá

A morte de Ambrósio Kaiowá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ambrósio Vilhalva, liderança Guarani Kaiowá do acampamento Guyraroká, morreu. Foi assassinado a facadas às oito e meia da noite do domingo, 1, em sua própria aldeia, a caminho de casa.

Sua morte é triste e complexa. Propomos aqui três apontamentos para refletir e para tentar compreender a morte de Ambrósio - e seus últimos anos de vida.

O primeiro está relacionado à terra. Guyraroká é um território retomado pelos Kaiowá. Em 1990, um grupo de 30 famílias que viviam confinadas na reserva Tey'kue, em Caarapó, conseguiu ocupar 60 hectares de uma das fazendas. Dali foram expulsos e permaneceram por quatro anos na beira da estrada, até que conseguiram voltar para a área.

Estudos antropológicos confirmaram a tradicionalidade do Guyraroká: 12 mil hectares foram identificados como terras originariamente ocupadas por àquelas famílias. Em 2009, o Ministério da Justiça publicou uma portaria declaratória, reconhecendo a área como efetivamente indígena.

O segundo apontamento está relacionado aos impactos do processo histórico imposto aos Guarani Kaiowá de perda de território e do confinamento nas reservas. Estas experiências foram traumáticas, transformaram abruptamente seus modos de viver a vida. Diminuiram e alteraram profundamente a qualidade e o sentido da vida destas pessoas.

Nesse contexto, bem como o suicídio, o uso compulsivo de bebidas alcoólicas proliferou com bastante força, atingindo centenas de Kaiowá desde então. Para suportar as tentativas de disciplinamento por parte do Estado e do capital, embriagar-se ou se matar forjaram-se como saídas. E Ambrósio bebia muito.

O terceiro apontamento tenta dar cabo do elemento mais trágico e grotesco da história: Ambrósio, segundo informaçãoes preliminares, teria sido assassinado por indígenas - e não por pistoleiros. No último período, a liderança vinha sendo alertada pela comunidade sobre os problemas que o uso compulsivo de bebidas alcoólicas traziam. Ambrósio vinha se tornando cada vez mais hostil com os indígenas da aldeia.

As memórias dão conta de que antes ele não era assim. Ambrósio era um bom yvyra'ja (aprendiz e auxiliar) do pai, seu Papito, tekoa’ruvixa (ou ñanderu, o rezador tradicional Kaiowá) da comunidade. Em 2008, Ambrósio foi um dos protagonistas do longa de ficção Terra Vermelha, co-produção italiana e brasileira sobre a tragédia Kaiowá. Bastante elogiado, o filme teve cinco nominações (entre elas, para o Festival de Veneza) e duas premiações. Ambrósio viajou bastante em função das agendas extensas de divulgação do filme (busque "Ambrósio Vilhalva" no Google para ter uma ideia).

Depois da exposição e da circulação do Kaiowá em festivais, espaços políticos e outras esferas, em diversos países, ele teria ficado assim, avesso, conforme indígenas que conviveram com Vilhalva. Sob severas privações em seu tekoha diminuto, a circulação de Ambrósio pelas extensas arenas por onde Terra Vermelha o levou teria acentuado as dissociações causadas pela invasão das terras Guarani Kaiowá, alçando Vilhalva a uma imagem difusa de si próprio.

Outros atores do filme também têm sofrido problemas semelhantes. Os produtores de Terra Vermelha possivelmente desconhecem esse fato, e muito menos anteviram os efeitos que a velocidade estonteante com que Ambrósio foi solapado provisoriamente de seu universo social causariam.

Expor grosseiramente os fatos relacionados à morte de Ambrósio apenas fragiliza a imagem dos indígenas e reforça os estereótipos que a hegemonia da elite agrária sul-mato-grossense insiste em vincular aos povos Guarani, com o intuito de reduzir as razões e a justeza que os levam a reivindicar seus territórios tradicionais. É preciso ser mais complexo e justo com a história, porque é exatamente o contrário disso.

Ruy Sposati, de Campo Grande (MS)

Fonte da notícia: Assessoria Cimi/MS

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Imigrantes bolivianos em São Paulo

Imigrantes bolivianos vivem como escravos em São Paulo

‘Morrer antes que viver como escravos’. Este é o lema da Bolívia, cantado no refrão do Hino Nacional do País. No entanto, é como ‘quase’ escravos que cerca de 50 mil bolivianos trabalham em fábricas de roupas em São Paulo.

Imigrantes bolivianos fazem jornada de trabalho de até 16 horas, em confecções escuras e com pouca ventilaçãoOs imigrantes fazem turnos de até 16 horas em confecções de roupas nos bairros do Brás, Pari e Bom Retiro. O ambiente de trabalho é fechado, sem janelas e com pouca luz. Os bolivianos moram nas fábricas e precisam pagar tudo para o patrão, desde a máquina de costura que trabalham até a água, luz e comida. Por isso, acabam endividados e ‘presos’ nas confecções. Para garantir que os imigrantes não fujam, além de trancarem as portas das fábricas, os patrões ameaçam chamar a Polícia Federal para deportar aqueles em situação ilegal.

A Bolívia ocupa a 113ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, a pior da América do Sul, e vive uma crise política e econômica que força seus habitantes a imigrarem. Assim como os brasileiros que vão ilegalmente aos Estados Unidos, na ilusão de melhorar de vida, os bolivianos são recrutados por ‘coiotes’, que oferecem trabalho, moradia e um salário de 300 a 400 dólares por mês. As portas de entrada para o Brasil são as cidades de Corumbá (Mato Grosso do Sul), Cáceres (Mato Grosso), Guajará-Mirim (Amazonas, por via fluvial), Manaus (Amazonas, por via fluvial) e mais recentemente Foz do Iguaçú (Paraná), por onde entram ilegalmente pela Ponte da Amizade.

“Eles vêm porque a situação, apesar de precária no Brasil, chega a ser, muitas vezes, melhor que na Bolívia. Alguns poucos mandam cerca de cem reais por mês para a Bolívia, mas muitos ficam sem comunicação com os parentes de lá, o que facilita a vinda de mais bolivianos para São Paulo”, disse Paulo Illes, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante, entidade ligada à Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) da Igreja Católica.

De acordo com Illes, o sonho de todo boliviano é poder abrir a própria confeccção, algo que poucos conseguem. O Centro de Apoio ao Migrante, além de ajudar os estrangeiros com assistência jurídica, cursos profissionalizantes e apoio às famílias, também promove uma campanha para a regularização dos ilegais.

Existem três maneiras para o cidadão estrangeiro tornar legal a sua permanência no Brasil. Casando com um(a) brasileiro(a), tendo filho brasileiro ou se tiver pais brasileiros. Recentemente, houve um acordo assinado pelo Brasil e pela Bolívia, o tratado prevê a legalização de todos os bolivianos que chegaram no País antes de 15 de agosto deste ano. Até agora nenhum boliviano se legalizou ajudado por esse acordo por causa do alto custo, de aproximadamente R$ 1.200 por pessoa. “O acordo foi de interesse puramente econômico e não humano. Estamos fazendo um abaixo-assinado para o Governo diminuir esse valor, ou cobrá-lo por família. Pedimos a regularização para eles poderem mudar de vida”, afirmou Illes.

A imigração boliviana começou nos anos 60. Os árabes, donos das confecções, empregavam os coreanos que começaram a abrir suas próprias confecções e a contratar bolivianos. No começo, os bolivianos eram só empregados. Hoje alguns já são donos de fábricas. “Muitos bolivianos conseguem superar, se inserir na sociedade brasileira e trazer valores culturais para o Brasil”, contou Illes.

Mas não são só bolivianos que entram ilegalmente no Brasil para trabalhar nas confecções. Muitos paraguaios e peruanos também estão vindo. “Os paraguaios, geralmente, vão morar em favelas e os peruanos alugam quitinetes para seis ou sete pessoas”, explicou o coordenador do Centro de Apoio ao Migrante.

Para Illes, os bolivianos são desprezados pelos brasileiros. Antigamente, a colônia se reunia todos os domingos na praça Padre Bento, no Pari, para fazer festa, vender comidas típicas e se divertir. Porém, os moradores do lugar os expulsaram, acusando-os de bagunça e de sujar o espaço. Hoje, a praça Cantuta, também no Pari, é o lugar escolhido por eles para promover sua festa, todos os domingos. “É uma praça menor, mas a festa é bonita. Tornouse símbolo do desprezo brasileiro pela cultura diferente”, disse Illes.

Thiago Varella

Fonte: Espaço Cidadania - Universidade Metodista de São Paulo

Imigração em massa de Haitianos no Acre

Imigração em massa de Haitianos é tratada por comissão de senadores que chega ao Acre

Hatiano Senadores

De acordo com o senador Jorge Viana, o objetivo da comissão é tentar minimizar o impacto que as cidades vêm sofrendo devido a imigração
O presidente da comissão de relações exteriores e defesa nacional do senado, senador Ricardo Ferraço, do Espírito Santo, lidera a comitiva no Acre

Para conferir a situação e solucionar a grande massa de imigrantes haitianos no acre, uma comissão formada por senadores chegaram ao estado nesta segunda-feira, 2, e visitaram a cidade de Brasiléia. Haitianos têm chegado ao Brasil e se instalado de forma precária nos municípios acreanos. O presidente da comissão de relações exteriores e defesa nacional do senado, senador Ricardo Ferraço, do Espírito Santo, lidera a comitiva no Acre e expõe quais medidas serão tomadas em relação à problemática.

De acordo com o senador Jorge Viana, o objetivo da comissão é tentar minimizar o impacto que as cidades vêm sofrendo devido a imigração, buscando uma forma de abrigar os haitianos sem malefícios para o Estado.

Senador Aníbal Diniz, que também participa das reuniões com a comissão, diz que o lado da população das cidades de Brasileia e Epitaciolândia, com maior número de imigração, também deve ser levado em consideração, já que segundo ele, há mais de três anos moradores dessa região sentem na pele as dificuldades encontradas depois da imigração em grande massa e providências serão tomadas.

Seg, 02 de Dezembro de 2013 18:21 Thais Farias

Fonte Agencia Senado

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A nova e a velha escravidão comparações

Comparação entre a nova escravidão e o antigo sistema

Nova escravidão 02

A assinatura da lei Áurea, em 13 de maio de 1888, decretou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sob outra, porém o trabalho semelhante ao escravo se manteve de outra maneira. A forma mais encontrada no país é a da servidão, ou ‘peonagem’, por dívida. Nela, a pessoa empenha sua própria capacidade de trabalho ou a de pessoas sob sua responsabilidade (esposa, filhos, pais) para saldar uma conta. E isso acontece sem que o valor do serviço executado seja aplicado no abatimento da conta de forma razoável ou que a duração e a natureza do serviço estejam claramente definidas.

Nova escravidão 01

A nova escravidão é mais vantajosa para os empresários que a da época do Brasil Colônia e do Império, pelo menos do ponto de vista financeiro e operacional. O sociólogo norte-americano Kevin Bales, considerado um dos maiores especialistas no tema, traça em seu livro “Disposable People: New Slavery in the Global Economy” (Gente Descartável: A Nova Escravidão na Economia Mundial) paralelos entre esses dois sistemas que foram aqui adaptados pela Repórter Brasil para a realidade brasileira.

brasil

antiga escravidão

nova escravidão

propriedade legal

permitida

proibida

custo de aquisição de mão-de-obra

alto. a riqueza de uma pessoa podia ser medida pela quantidade de escravos

muito baixo. não há compra e, muitas vezes, gasta-se apenas o transporte

lucros

baixos. havia custos com a manutenção dos escravos

altos. se alguém fica doente pode ser mandado embora, sem nenhum direito

mão-de-obra

escassa. dependia de tráfico negreiro, prisão de índios ou reprodução. bales afirma que, em 1850, um escravo era vendido por uma quantia equivalente a r$ 120 mil

descartável. um grande contingente de trabalhadores desempregados. um homem foi levado por um gato por r$ 150,00 em eldorado dos carajás, sul do Pará

relacionamento

longo período. a vida inteira do escravo e até de seus descendentes

curto período. terminado o serviço, não é mais necessário prover o sustento

diferenças étnicas

relevantes para a escravização

pouco relevantes. qualquer pessoa pobre e miserável são os que se tornam escravos, independente da cor da pele

manutenção da ordem

ameaças, violência psicológica, coerção física, punições exemplares e até assassinatos

ameaças, violência psicológica, coerção física, punições exemplares e até assassinatos

Observação: As diferenças étnicas não são mais fundamentais para escolher a mão-de-obra. A seleção se dá pela capacidade da força física de trabalho e não pela cor. Qualquer pessoa miserável moradora nas regiões de grande incidência de aliciamento para a escravidão pode cair na rede da escravidão. Contudo, apesar de não haver um levantamento estatístico sobre isso, há uma grande incidência de afrodescendentes entre os libertados da escravidão de acordo com integrantes dos grupos móveis de fiscalização, em uma proporção maior do que a que ocorre no restante da população brasileira. O histórico de desigualdade da população negra não se alterou substancialmente após a assinatura da Lei Áurea, em maio de 1888. Apesar da escravidão ter se tornado oficialmente ilegal, o Estado e a sociedade não garantiram condições para os libertos poderem efetivar sua cidadania. Por fim, as estatísticas oficiais mostram que há mais negros pobres do que brancos pobres no Brasil. Outro fator a ser considerado é que o Maranhão, estado com maior quantidade de trabalhadores libertos da escravidão, é também a unidade da federação com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a que possui a maior quantidade de comunidades quilombolas.

Fonte Reporter Brasil

"Iyalode - Damas da Sociedade",

"Iyalode - Damas da Sociedade",

Canal Curta! documentário sobre mães-de-santo de SP

No Canal Cura! documentário "Iyalode - Damas da Sociedade", dirigido pela jornalista e cineasta Maria Emília Coelho e pelo cientista social José Pedro da Silva Neto.
O filme histórico relata a vida de algumas das mães-de-santo mais antigas de São Paulo --Mãe Pulquéria, Mãe Juju, Mãe Ada e Mãe Sessu--, que no final dos anos 50 trouxeram o candomblé para a cidade. Elas contam como iniciaram na religião e como conseguiram fincar raízes na metrópole.
De dentro dos terreiros, os documentaristas mostram a rotina dessas mulheres e gravam depoimentos, mostrando como a escolha pelo candomblé determinou e transformou suas relações familiares e também com a sociedade que, segundo elas, não está acostumada a ver a mulher à frente de algo tão delicado como a religião.
O retrato dessas trajetórias de vida exprime também o crescimento da religião em São Paulo. Na época em que chegaram à cidade, incompreendidas pela maioria dos paulistanos, instalaram seus terreiros em casas, casebres e casarões, todos afastados da região central. Hoje eles são, além de lugar sagrado para seus adeptos, ponto de referência e de culto a uma das religiões mais tradicionais da cultura brasileira.
Ponto alto do filme é o inédito encontro das quatro mães-de-santo em uma praia paulista. Emocionadas, elas trocam experiências, cantam e homenageiam a mulher e os orixás, à beira do mar.

Dia internacional da Abolição da escravatura e…

Os novos escravos

Dia 2 de dezenbro

Hoje é o dia internacional que evoca a abolição da escravatura. Mas esta não pertence apenas ao passado. Por tradição, porque um dia contraíram uma dívida ou porque foram vendidos pelas famílias os escravos modernos estão condenados a uma existência que não lhes reconhece quaisquer direitos.Há alguns anos li „Gente Descartável” do sociólogo Kevin Bales. Trata-se de uma monografia sobre escravatura moderna. Conta histórias terríveis como a de Bilal, que vende água em Noualchott, a de Siri, vendida pelos pais e obrigada a aceitar 15 ou mais clientes por noite no bordel onde trabalha e as histórias dos meninos que trabalham em fábricas de fogo de artificio na Índia. Nessas fábricas a pólvora queima-lhes os dedos e as bolhas que se formam são rebentadas com carvão ou cigarros acesos para que as crianças não parem de trabalhar.

Alguns nunca viram uma casa,  nem uma cidade, nem o mar, nem um jardim. Dignidade, compaixão ou afecto são palavras desconhecidas nesse mapa de desumanidade.

Em pleno século XXI há ainda quase trinta milhões de pessoas condenadas a uma existência em que não lhe são concedidos quaisquer direitos. Abandonadas nos cantos mais inóspito do planeta : em África, na Ásia e, para nossa vergonha maior,  na Europa. Abominável.

Vozes de África

(…)

Qual Prometeu tu me amarraste um dia

Do deserto na rubra penedia — Infinito: galé! …

Por abutre — me deste o sol candente,

E a terra de Suez — foi a corrente

Que me ligaste ao pé…

O cavalo estafado do Beduíno

Sob a vergasta tomba ressupino

E morre no areal.

Minha garupa sangra, a dor poreja,

Quando o chicote do simoun dardeja

O teu braço eternal.

Castro Alves

Por Helena Ferro Gouveia

em Domadora de Camalões


“Noel Rosa, Poeta da Vila e do Povo”

Filme “Noel Rosa, Poeta da Vila e do Povo”, coproduzido pela TV Brasil, será lançado em DVD no Dia Nacional do Samba

Obra é resultado de reportagens musicais sobre Noel Rosa, exibidas em série coproduzida pela TV Brasil e a Cinemar Produções, e também marca a comemoração do sexto aniversário da emissora

As comemorações pelo Dia Nacional do Samba, celebrado no dia 02 de dezembro, terão um tempero especial: o lançamento, em DVD, do filme “Noel Rosa, Poeta da Vila e do Povo”, uma coprodução da TV Brasil e da Cinemar Produções, que homenageia um dos mais importantes e populares compositores brasileiros: Noel Rosa. O lançamento também marca o sexto aniversário da emissora pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), festejado na mesma data.

O lançamento acontece a partir das 17h30, na livraria Folha Seca, localizada num endereço que é reduto de apreciadores do samba de raiz, a Rua do Ouvidor, 37. Embalando os convidados, sambas de Noel interpretados pela cantora Marina Iris, que tem forte ligação com o gênero. Estarão presentes o diretor do filme, Dácio Malta, o produtor Roberto Faissal, a cantora Mariana Baltar, que interpreta a canção de abertura da obra, e representantes da TV Brasil.

“Noel Rosa, Poeta da Vila e do Povo” é originário da série homônima que homenageou o centenário de nascimento de Noel, cujos cinco episódios foram ao ar na TV Brasil em 2010. A reportagem destaca a obra do compositor, morto aos 26 anos de tuberculose, e que compôs, em sua curta carreira, 227 músicas, a maioria delas sambas, alguns considerados verdadeiras obras-primas. Noel já foi gravado pelos mais notáveis intérpretes da MPB, sendo que algumas de suas músicas, como “As Pastorinhas", conta hoje com cerca de duas centenas de gravações.

Dácio Malta estava escrevendo um espetáculo sobre o centenário de Noel e foi daí que surgiu a ideia do documentário que originou a série de cinco episódios exibida na TV. Segundo ele, guardada a modéstia, o documentário é definitivo porque, quando foi feito, em 2010, não tinha nenhum contemporâneo do Noel vivo. Tudo foi de arquivo. “Eu acho que o documentário sobre a vida e obra de Noel é definitivo. Quando fiz, já não tinha nenhum contemporâneo do Noel. Usei muita coisa de arquivo. Mesmo se alguém fizer vai ser impossível encontrar alguma coisa nova de Noel”, explica Dácio.

A produção reuniu mais de 60 horas de gravações, além de outras dezenas de arquivos sonoros, fotos, partituras e originais de Noel. Resultado de 20 meses de pesquisa, foi realizada em apenas seis semanas. No filme, expoentes da MPB, como Caetano Veloso e Zeca Pagodinho, entre outros, confessam a importância de Noel em suas vidas.

Além das gravações de Zé Renato, que é o diretor musical do filme, de Mariana Baltar, e dos entrevistados, foram utilizadas imagens de arquivos da TV Brasil, TV Cultura, TV Globo, Cinemateca Brasileira, Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional e Fundação de Artes Alves Penteado. Oito das músicas do documentário são paródias – uma faceta de Noel pouco conhecida do público.

Fonte EBC