segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Anitta estrela funk acende debate sobre clareamento de pele

No dia 08/08/2013 o jornal britânico The Guardian publicou uma matéria, onde o debate à respeito do clareamento de pele artificial e do racismo existente no país. Uma publicação mostrou fotos da estrela do funk, Anitta antes e depois do sucesso.

Uma tradução livre da matéria do The Guardian:

“Anitta estrela brasileira do funk acende novo debate sobre clareamento da pele e raça

A última sensação do funk brasileiro, Anitta, conquistou milhões de fãs ao levar o som da favela ao mainstream, mas ela está agora à frente e no centro de um debate sobre cor de pele.

Ativistas de campanhas anti-discriminação e comentaristas sociais dizem que a mais rápida estrela ascendente da música industrial teve que sacrificar sua origem negra para ser bem sucedida na classe média predominantemente branca do mercado.

A polêmica foi motivada pela publicação dad fotografias antes e depois que mostra um clareamento dramático no tom de pele de Anita desde que ela assinou um contrato com a Warner.

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Anitta fotografada quando era relativamente desconhecida e no palco no Brasil no último mês. Foto: Mauricio Santana/Corbis

Na primeira, quando Anitta era relativamente desconhecida, ela parecia mais escura. Na segunda – uma foto de marketing após ela ter ficado famosa – ela aparece mais clara. Quer isso tenha sido resultado de produtos de clareamento de pele e cirurgias cosméticas ou – mais provável – ajustes no Photoshop, o contraste reacendeu a discussão sobre o quanto você necessita ser branco para ser reconhecido no Brasil.

Jarid Arraes, estudante de psicologia e blogueiro, escreveu um post criticando a discriminação latente na mídia e marketing que ela sentiu ter representado a mudança da imagem de Anitta. “As pessoas se negam a aceitar que são racistas e que vivem em uma democracia multirracial, mas as estatísticas mostram que isso está longe da verdade. O clareamento nos mostra uma sociedade profundamente intolerante que não suporta a diversidade… branco é a imagem do rico, do legal, do bem sucedido, do bom, enquanto as pessoas enxergam o preto como o oposto de tudo isso”.

Nascida Larissa de Macedo Machado, a pretendente a diva foi uma corista de igreja em sua infância. Durante a adolescência, fez o nome por si mesma no cenário do baile funk carioca como uma cantora e dançarina curvilínea, dançadora de bumbum... de bunda”.

Esse ano ela explodiu no conhecimento do público com um álbum e um enorme single de sucesso, Show das Poderosas , que liderou as paradas e atraiu 52 milhões de visitas no YouTube.

Apesar de ter sido adorada inicialmente como ídolo pop com uma mensagem forte e algumas melodias cativantes, seus apoiadores a projetam como uma ponte cultural entre as favelas predominantemente habitadas por pretos e mestiços nas encostas dos morros do Rio e os bairros mais ricos e brancos localizados morro abaixo.

Ela amenizou a dança sugestiva [sexo], referência gangsta e letras explícitas do baile funk e intensificou o R&B transglobal em vários vídeos promocionais mais suaves, inclusive um para Meiga e Abusada no qual ela janta com uma família branca.

Agora, no entanto, as perguntas estão sendo feitas se ela – ou sua equipe de marketing – ter ido tão longe ao reconstruir sua imagem para atrair uma demografia mais lucrativa. “Se eles tem cabelos crespos, vão se sentir coagidos a alisá-lo. Se eles tem um nariz grande, serão coagidos a fazer uma rinoplastia“, disse Arraes. “Isso cria um círculo vicioso de auto-estima”.

Este é um tema sensível nessa nação grande e altamente mestiça. Brasil – um dos últimos grandes países do mundo a banir a escravidão – tem a maior população de descendentes de africanos fora da África, mas raça e descendência são menos importantes aqui do que cor. E apesar do objetivo declarado da nação de ser uma democracia multirracial, há uma relação clara entre o tom da pele e a desigualdade.

Nas cidades brasileiras, trabalhadores brancos ganham quase o dobro do que os descendentes de africanos. Até 2011, estudantes pretos ou pardos também passavam dois anos a menos nas escolas do que a média dos estudantes.

O governo diz que essa diferença está diminuindo graças ao sistema de cotas raciais nas universidades e outras formas de ações afirmativas. Mas o abismo permanece flagrantemente aparente. A grande maioria dos executivos de negócio e do governo são brancos, enquanto a maior parte dos empregos mais braçais são feitos por pretos e pardos. Caminhe por Ipanema, Gávea ou outros bairros de luxo na Zona Sul do Rio e você estará mais propenso a ver babás negras empurrando carrinhos com bebês brancos do que o contrário.

Definição de cor é complexa. Pessoas que se definem como brancas estão em minoria pela primeira vez no censo mais recente realizado em 2010. Entre os 197 milhões de pessoas que vivem no Brasil, 82 milhões disseram que eram pardos, 15 milhões pretos, dois milhões asiáticos e 0,5% indígenas.

Sylvio Ferreira, professor de psicologia na Universidade Federal de Pernambuco, acredita que Anitta conquistou o coração da classe média por fazer um som rebelde e tornando-o mais domesticado e mais palatável a todos os estratos sociais.

“Isso foi conquistado a partir do clareamento racial? Não”, diz ele. “O que aconteceu foi uma mudança do espaço social onde Anitta produziu sua arte: da periferia para o centro”.

Outros concordam que a questão da cor da pele foi exagerada. Maycon de Mattos Batista, um analista financeiro que trabalhou com Anitta quando ela era uma estagiária na Vale, disse que houve uma grande transformação na imagem de Anitta, mas não de sua cor.

“Eu não acredito que se trate de clareamento; é mais a maneira como ela está sendo produzida com a maquiagem, estilistas de cabelo e o modo como se veste”, ele disse. “Eu não acho que foi por causa de pressão sobre ela. Ela sempre gostou de se mostrar, cantar e dançar. Isso é algo natural para ela. Acredito que é por conta de sua naturalidade que ela é está onde está hoje em dia”.

Leandro Silva de Souza, um ativista por igualdade racial na cidade nordestina de Salvador, disse que o preconceito reside não na sociedade, mas nos produtores musicais e executivos de mídia. O público, diz ele, provou que está interessado na música em si após ter escolhido Oléria – uma lésbica negra – como a mais recente vencedora do The Voice Brasil, um show similar ao Pop Idol.

Anitta ainda tem de ser ouvida à respeito desse debate e o The Guardian não conseguiu contatá-la para comentar o assunto. Contudo, em uma entrevista recente publicada no Blog Folha, ela descreveu a necessidade por identidade para ser bem definida.

“Toda poderosa é uma mulher que não precisa ser bonita, mas tem tanta atitude que é maravilhosa, é poderosa”, diz Anitta à apresentadora Sabrina Sato. “O que tento passar no meu trabalho para todo mundo é que nós podemos ser quem quisermos”.

Com reportagem adicional por Anna Kaiser.

Tradução Hugo Ferreira

Fonte: The Guardian

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Porque os médicos cubanos não são escravos

Entenda por que médicos cubanos não são escravos

Especialista em estudos cubanos, o jornalista Hélio Doyle explica por que a remuneração dos profissionais de saúde de Cuba é paga diretamente ao governo de Raúl Castro

Medicos Cubanos não são 2

Autor de uma série de artigos sobre a vinda dos médicos cubanos, reunidos no 247 sob o título "O que você precisa saber sobre médicos cubanos", o jornalista Hélio Doyle publicou neste domingo uma resposta clara aos jornalistas e críticos do programa Mais Médicos que apontam escravidão na vinda de profissionais de saúde daquele país. Leia abaixo:

UM POUCO MAIS SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS

Parece que o último argumento contra a contratação dos médicos cubanos é a remuneração que vão receber. Pois é ridículo, quando prevalecem fatos, indicadores internacionais e números, falar mal do sistema de saúde e da qualidade dos médicos de Cuba. A revalidação dediploma também não é argumento, pois os médicos estrangeiros trabalharão em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal. Não tem o menor sentido, também, dizer que os cubanos não se entenderão com os brasileiros por causa da língua – primeiro, porque vários deles falam o português e o portunhol, segundo porque os médicos cubanos estão acostumados a trabalhar em países em que a lingua falada é o inglês, o francês, o português e dialetos africanos, e nunca isso foi entrave.

Resta, assim, a forma de contratação e, mais uma vez sem medo do ridículo, falam até de trabalho escravo. Essa restrição também não tem procedência, nem por argumentos morais ou éticos (e em boa parte hipócritas), nem com base na legislação brasileira e internacional. Vamos a duas situações hipotéticas, embora ocorram rotineiramente.~

Imagem Ilustrativa

Imagem Ilustrativa

1 Uma empreiteira brasileira é contratada por um governo de país europeu para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e levar àquele país, por tempo determinado, alguns engenheiros, geólogos, operários especializados e funcionários administrativos, todos eles empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no país europeu, todos voltarão ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem vai definir a remuneração desses empregados da empreiteira e pagá-los, ela ou o governo do país europeu? É óbvio que é a empreiteira.

2 – Os governos do Brasil e de um país africano assinam um acordo para que uma empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro àquele país para dar assistência técnica a pequenos agricultores. O governo brasileiro será remunerado em dólares pelo governo africano. A estatal brasileira designará alguns de seus funcionários para residir e trabalhar temporariamente no país africano. Quem vai definir a remuneração dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes fará o pagamento, a estatal brasileira ou o governo do país africano? É óbvio que é a empresa estatal brasileira.

Por que, então, tem de ser diferente com os médicos cubanos? Eles não estão vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para Cuba e para seus empregos públicos.

Não teria o menor sentido, assim, que esses médicos, formados em Cuba e servidores públicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no Brasil como se fossem pessoas físicas sendo contratadas. Para isso, eles teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como não faria sentido que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal contratada na África assinassem contratos e fossem remunerados diretamente pelos governos desses países.  Trata-se de uma prestação de serviços por parte de Cuba, feita, como é natural, por profissionais dos quadros de saúde daquele país.

A outra crítica é quanto à remuneração dos médicos cubanos. Embora menor do que a que receberão os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas físicas, está dentro dos padrões de Cuba e não discrepa substancialmente do que recebem seus colegas que trabalham no arquipélago. É mais, mas não muito mais. Não tem o menor sentido, na realidade cubana, que um médico de seus serviços de saúde, trabalhando em outro país, receba R$ 10 mil mensais. E, embora os críticos não aceitem, há em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. O que Cuba ganha com suas exportações de bens e serviços, depois de pagar aos trabalhadores envolvidos, não vai para pessoas físicas, vai para o Estado. 

Padilha Mais Médicos

Programa Mais Médicos foi uma iniciativa do ministro da Saúde José Padilha (Foto: Agência Brasil)

A possibilidade de ganhar bem mais é que faz com que alguns médicos cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros países como pessoas físicas. É normal que isso aconteça, em Cuba ou em qualquer país (não estamos recebendo portugueses e espanhóis?) e em qualquer atividade (quantos latino-americanos buscam emigrar para países mais desenvolvidos?). Como é normal que muitos dos médicos cubanos aprovem o sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as “missões internacionalistas” em qualquer parte do mundo, independentemente de qual é o salário. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e pela solidariedade, e não pelo lucro.

É difícil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se beneficiam da privatização e da mercantilização da medicina e da assistência à saúde no Brasil.

brasil247.com 26 Agosto de 2013 - 07:19

Fonte Tribuna Hoje

Imagens Internet

sábado, 24 de agosto de 2013

Tráfico de Escravos e a Abolição UNESCO

Uma tragédia do passado que questiona o nosso presente

Devemos ensinar os nomes dos heróis dessa história, porque eles são os heróis de toda a humanidade. Ao homenagear anualmente, em 23 de agosto, as mulheres e os homens que lutaram contra essa opressão, a UNESCO busca encorajar a reflexão e o debate sobre uma tragédia que deixou sua marca no mundo assim como ele é hoje.

Algemas

Foto internet

Por meio de suas lutas, de sua aspiração por dignidade e liberdade, os escravos contribuíram para a universalização dos direitos humanos.

23 de agosto

Fotos de Conselho Nacional de Justiça (CNJ) · Página de Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Devemos ensinar os nomes dos heróis dessa história, porque eles são os heróis de toda a humanidade. Ao homenagear anualmente, em 23 de agosto, as mulheres e os homens que lutaram contra essa opressão, a UNESCO busca encorajar a reflexão e o debate sobre uma tragédia que deixou sua marca no mundo assim como ele é hoje.

Sob o Projeto A Rota do Escravo, a UNESCO visa a revelar a extensão e as consequências dessa tragédia humana e a retratar a riqueza das tradições culturais que povos africanos forjaram em meio a adversidades – na arte, na música, na dança e na cultura, em seu sentido mais amplo. Este ano, na véspera do vigésimo aniversário do Projeto A Rota do Escravo, designei, como um Artista da Paz da UNESCO, Marcus Miller, que terá a missão de promover o Projeto A Rota do Escravo da UNESCO e transmitir mensagem de respeito desse projeto por meio da música. Esse empenho contribuirá para os esforços para a Década dos Povos Afrodescendentes (2013-2022), proclamada pelas Nações Unidas em 2012.

O tráfico de escravos não é apenas algo do passado: é nossa história e tem moldado a face de muitas sociedades modernas, criando laços indissolúveis entre povos e continentes, e transformando, de forma irreversível, o destino, a economia e a cultura das nações. Estudar essa história equivale a homenagear os combatentes pela liberdade e reconhecer suas contribuições singulares para a afirmação dos direitos humanos universais. Eles estabeleceram um exemplo para continuarmos a luta pela liberdade, contra o preconceito racial herdado do passado e contra novas formas de escravidão que subsistem até hoje e afetam em torno de 21 milhões de pessoas.

Hoje, convido todos os governos, as organizações da sociedade civil e os parceiros privados a redobrar seus esforços para transmitir essa história. Que isso seja uma fonte de respeito e um chamamento universal em prol da liberdade para as futuras gerações.

Neste Dia de Comemoração, a UNESCO convida todos os povos a relembrar, refletir sobre as consequências do passado em nosso presente, sobre as novas exigências de viver-se em conjunto em nossas sociedades mutilculturais e sobre a luta contra as formas contemporâneas de escravidão, das quais milhões de seres humanos ainda são vítimas.

Irina Bokova

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e a Abolição, 23 de agosto 2013

Brasil refúgio de peregrinos perseguidos

Peregrinos da Jornada da Juventude pedem refúgio ao Brasil

  Peregrinos

 

 

Mais de 40 peregrinos que participaram da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que ocorreu no fim de julho na capital fluminense, formalizaram nesta semana pedido de refúgio ao governo brasileiro.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a maioria está no Rio de Janeiro e um grupo em São Paulo, todos acolhidos pela Cáritas Arquidiocesana, entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Entre os peregrinos que pediram refúgio, três são mulheres. Há solicitantes do Paquistão, de Serra Leoa e da República Democrática do Congo. Os peregrinos do Paquistão e de Serra Leoa alegam sofrer perseguições religiosas, já os do Congo pediram refúgio devido aos conflitos armados que assolam o país há décadas.

Os pedidos serão analisados pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, e o processo pode levar até aproximadamente oito meses. O porta-voz da Acnur, Luiz Fernando Godinho, explicou que enquanto esperam a resposta do Brasil, os solicitantes têm direito a tirar carteira de trabalho e CPF, além de todos os direitos civis garantidos aos brasileiros.

Primeiro desfile Papa

Primeiro desfile do Papa Francisco

“Eles poderão acessar as políticas públicas universais a todos os brasileiros, saúde, educação. Já é um avanço grande da legislação brasileira que garante essa regularização temporária para os solicitantes de refúgio, assim como o acesso às políticas públicas”, explicou. 

Godinho informou que os pedidos de refúgio com base em questões religiosas tornam a análise mais complexa, por terem cárater mais subjetivo. “Quando a pessoa pede refúgio por motivo de conflitos ou por guerra são fatos mais objetivos do que as questões religiosas que têm um caráter subjetivo maior”.

Uma das assistentes sociais do projeto de proteção a refugiados da Cáritas do Rio,  Débora Marques Alves, explicou que os congoleses já planejavam pedir o asilo antes de chegarem ao Brasil e aproveitaram o visto emitido para a JMJ para poderem entrar no país. “Já os que vieram do Paquistão e de Serra Leoa, sofriam perseguição e preconceito, ao chegarem ao Brasil perceberam que aqui é um ambiente seguro, onde não precisariam mais ter medo por sua escolha religiosa”, disse a assistente social.

Aprendendo portugues pergrinos

Segundo ela, as ações para refugiados, que têm o apoio da Acnur e do governo brasileiro, incluem aulas de português, cursos profissionalizantes e ajuda financeira. Para isso, os solicitantes precisam do protocolo confirmando o pedido de refúgio.

“Alguns já estão frequentando as aulas de português, que oferecemos duas vezes por semana”, contou, ao ressaltar que aprender o idioma é um dos primeiros passos para a inclusão na sociedade. 

Segundo a Acnur, cerca de 4.200 refugiados reconhecidos pelo governo federal vivem no país, provenientes de mais de 70 nacionalidades. Em 2013, cerca de 300 novos pedidos foram aceitos pelo Conare – sendo a maioria da Síria, Colômbia e da República Democrática do Congo.

Em abril, o Conare informou que o número de estrangeiros em busca de refúgio no Brasil triplicou. O refúgio pode ser solicitado por todo estrangeiro que comprove sofrer perseguição por motivos de raça, religião, opinião pública, nacionalidade ou por pertencer a grupo social específico. E também por pessoas que tenham sido obrigadas a deixar o país de origem devido a grave e generalizada violação de direitos humanos.

Agência Brasil

Fotos Web

Publicação: 23/08/2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Racismo 10 filmes

10 Filmes sobre Racismo legado da escravidão

O tema que escolhido hoje é um dos mais prolíficos do cinema.
São inúmeros os bons filmes que falam sobre racismo.
Para facilitar, me concentrei apenas em racismo contra negros.
Muitos desses filmes se passam até a década de 60, mas é incrível notar que essa abominação, baseada em ignorância, o racismo, persiste até os dias de hoje.
Aqui vai minha lista de 10 feita em 2009 . Faltam vários filmes Aguardo seus comentários e sugestões de outros títulos.

1.  Amistad (negros escravizados se rebelam e tomam o navio espanhol na costa de Cuba, enganados pelos tripulantes restantes, acabam capturados por um navio americano e uma batalha judicial se inicia. não é dos melhores filmes de Spielberg, mas é didático na descrição do cruel transporte de escravos)

2.  Uma Outra História Americana (Edward Norton é o líder de um grupo de skinheads que mata dois negros que invadem sua casa e vai para a cadeia por 3 anos. na prisão percebe que o ódio racial que pregava só lhe traz prejuízos. quando sai, tenta desfazer sua imagem, mas suas antigas idéias ficaram impregnadas no seu grupo e no próprio irmão)

Malcon X

3.  Malcolm X (biografia de um dos grandes líderes negros americanos. Denzel Washington faz Malcolm X, que teve o pai morto pela Ku Kux Klan, a mãe internada por insanidade e acabou sendo um malandro de rua. quando esteve preso, converteu-se ao islamismo e iniciou sua pregação pela igualdade racial)

4.  A Autobiografia de Miss Jane Pittman (feito para TV e estrelado por Cicely Tyson, é um filme tocante. a história de uma mulher negra, que nasceu escrava em 1850 e viveu para fazer parte dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos anos 1960. ganhou 8 prêmios Emmy)

5.  Tempo de Matar (uma garota negra de apenas 9 anos é estuprada por dois racistas brancos. eles são presos, mas quando estão sendo levados ao tribunal, são mortos pelo pai da garota. o caso atrai atenção nacional e a cidade vira um barril de pólvora)

6.  Mississipi em Chamas (em 1964, dois agentes do FBI vão a uma cidadezinha do Mississipi investigar os assassinatos de três militantes dos direitos civis, dois negros e um judeu. na cidade encontram um ambiente muito tenso, onde a segregação e o preconceito são a tônica)

 

7.  Adivinhe Quem Vem para Jantar (um casal esclarecido de classe média americana - Spencer Tracy e Katharine Hepburn - vai conhecer o noivo da filha num jantar, quando descobrem que ele é negro - Sidney Poitier. eles ficam chocados e procuram por algo que o desabone, mas encontram uma pessoa com muitas qualidades morais e profissionais. um tanto teatral, mas com um roteiro e interpretações brilhantes)

8.  As Barreiras do Amor (Michelle Pfeiffer é uma dona de casa obcecada pelo casal Kennedy e decide, contra a vontade do marido, ir de ônibus para o funeral do presidente. no ônibus, senta-se próxima a um negro, que viaja com a filha de 5 anos. ela desconfia que o homem está sequestrando a garota e aciona a polícia, mas vê que estava errada e acaba desenvolvendo uma forte amizade com eles. um retrato do preconceito nos anos 60)

9.  Um Grito de Liberdade (nos anos 70 na África do Sul, um jornalista branco - Kevin Kline - fica amigo de um ativista negro, Stephen Biko - vivido por Denzel Washington - que acaba morto na prisão. o jornalista então resolve divulgar o fato, as idéia de Biko e os horrores do apartheid, mas acaba virando alvo do regime e tem que fugir do país)

10.  Bopha! Á Flor da Pele (dirigido por Morgan Freeman o filme tem boas intenções em denunciar o regime do apartheid na África do Sul, através da história de um policial negro, que se orgulha de fazer parte do regime e acaba entrando em conflito com sua própria família)

Fonte: Lista de 10

terça-feira, 13 de agosto de 2013

África Ignorâncias e preconceitos

10 ideias equivocadas que temos sobre a África

Uma jornalista da Namíbia, Christine Vrey, estava revoltada com a ignorância das pessoas com quem já conversou a respeito de seu continente natal, a África. Segundo ela, o mundo ocidental sabe muito menos do que deveria sobre o continente africano, pecando por ignorância e preconceitos. Pensando nisso, Christine elaborou uma lista com dez ideias enganosas sobre o continente. Confira:

10 – A ÁFRICA É UM PAÍS

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Pode parecer inacreditável, mas muitas pessoas, segundo ela, ainda pensam que a África inteira é um país só. Na verdade, o continente africano tem 61 países ou territórios dependentes, e população superior a um bilhão de habitantes (o que faz deles o segundo continente mais populoso, atrás apenas da Ásia).

9 – A ÁFRICA INTEIRA É UM DESERTO

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Dependendo das referências (alguns filmes, por exemplo), um leigo pode imaginar que a África inteira seja um deserto escassamente povoado por beduínos e camelos. Mas apenas as porções norte e sudoeste do continente (desertos do Saara e da Namíbia, respectivamente) são assim; a África apresenta um rico ecossistema com florestas, savanas e até montanhas onde há neve no cume.

8 – TODOS OS AFRICANOS VIVEM EM CABANAS

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A fama de continente atrasado permite, segundo Vrey, que muitas pessoas achem que a população inteira habite cabanas com paredes de terra e teto de palha. A África, no entanto, tem moderníssimos centros urbanos nos quais vive, na realidade, a maior parte da população. As pessoas que habitam tais cabanas geralmente vêm de grupos tribais que conservam suas vilas no mesmo estado há muitas décadas.

7 – OS AFRICANOS TÊM COMIDAS ESTRANHAS

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Uma cidade africana, de acordo com a jornalista, se assemelha a qualquer outra localidade ocidental no quesito alimentação: pode-se encontrar qualquer lanchonete de fast food, por exemplo. Christine explica que os hábitos alimentares dos africanos não diferem muito do nosso, exceto pelo que se come em algumas refeições, como o “braai” (o equivalente ao nosso churrasco).

6 – HÁ ANIMAIS SELVAGENS POR TODA PARTE

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Em uma cidade africana, você verá o mesmo número de leões ou zebras que encontraria nas ruas de qualquer metrópole mundial: zero. Não há absolutamente nenhuma condição favorável para eles nos centros urbanos, é óbvio que vivem apenas em seus habitat naturais. Se você quiser ir à África com o intuito de observar animais selvagens, terá que fazer uma viagem específica para esse fim.

5 – A ÁFRICA É UMA EXCLUÍDA DIGITAL

Maquinas 5

A jornalista Christine conta que ainda conversa com pessoas, pela internet, que ficam surpresas pelo simples fato de que ela, uma africana, tem acesso a computadores e internet! Um dos interlocutores da jornalista chegou a perguntar se ela usava um computador movido a vapor. Ela explica que a tecnologia não perde muito tempo em fazer seus produtos mais modernos chegarem até a África, e que eles estão cada vez menos atrasados em relação ao resto do mundo.

4 – EXISTE O “IDIOMA AFRICANO”

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Da mesma forma que ainda há gente que considera a África um único país, também existem pessoas que
imaginam todos os habitantes do continente falando a mesma língua. Christine explica que apenas na Namíbia, de onde ela veio, há mais de 20 idiomas usuais, incluindo mais de um “importado” e alguns nativos. Nenhum país do continente tem menos de cinco dialetos correntes.

3 – A ÁFRICA TEM POUCOS HOTÉIS

Hoteis 3

 

Não é uma missão impossível encontrar hospedaria em uma visita ao continente africano. As maiores cidades do continente dispõem de dezenas de hotéis disponíveis para turistas. Só nas oito maiores cidades da África do Sul, segundo Vrey, existem 372 hoteis.

2 – OS AFRICANOS NÃO SABEM O QUE É UM BANHEIRO

Banheiros 3

 

Há quem pense, de acordo com a jornalista, que todos os africanos sejam obrigados a fazer suas necessidades atrás do arbusto ou em latrinas a céu aberto. Isso vale, segundo ela, apenas para as áreas desérticas e vilarejos afastados. No geral, uma casa na África dispõe de um vaso sanitário muito semelhante ao seu.

1 – TODOS OS AFRICANOS SÃO PRETOS 

Diversidade 1

Da mesma forma que houve miscigenação de raças na América, devido às intensas migrações de europeus, a África também recebeu essas misturas. Na Namíbia, por exemplo, há famílias africanas brancas descendentes de franceses, holandeses e portugueses. Mas não há apenas isso: o continente também abriga grandes comunidades de indianos, chineses e malaios, de modo que não se pode falar em “raça africana”.

Preto é preto

Isso é um engano: há várias características físicas diferentes entre os povos de pele escura. As diferenças começam pela própria tonalidade: alguns povos têm a pele mais “avermelhada” ou mais marrom do que outros, e alguns são menos escuros, sem levar em conta a miscigenação. Não é possível falar, portanto, em pretos simplesmente.

Preto é preto 11

Eu tenho , em várias ocasiões, ouvido as pessoas, ao descrever sua etnia, que eles são (por exemplo) 1/4 de espanhol, 1/4 britânico, 1/4 russo, 1/4 Preto. Isso é incorreto como as três primeiras “raças”  mencionadas são todas brancos, então por que generalizar sobre sua genética preta? As pessoas Ovihimba são tão diferentes como a noite do dia em comparação ao povo Herero, e todos eles são ´pretos. Na África, você também tem cores diferentes de preto para as diferentes tribos e diferentes áreas da África. Como exemplo, o povo angolano tendem a ser quase preto azulado, enquanto o povo San são muito mais claros na pele, mais de uma cor castanho escuro, e as pessoas Ovahimba (acima) se orgulham em um tom avermelhado. Se você é preto, ou ter alguns genes africano em você, eu aconselho você a descobrir mais sobre sua história famíliar e onde seus ancestrais vieram, em vez generalizar e dizer que você é apenas africano.

 

Fonte: Listverse dezembro de 2011

Reparação histórica cotas para Afro-uruguaios

Congresso do Uruguai aprova lei favorecendo a coletividade afrodescendente.

A lei destina 8% dos cargos públicos e estabelece incentivos para empresas privadas que contratem. Lei destina-se a proteger o coletivo afrodescendente da exclusão do trabalho e social.

Os mesmos critérios serão aplicados na educação. O projeto propõe um conjunto de bolsas de estudo, na escola, ensino fundamental e na faculdade, para crianças e jovens na população abrangida pela lei, algo que, segundo o governo deputado Felipe Carballo, será "muito mais ênfase", devido ao “elevado abandono escolar”, ocorrida com este setor da população.

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Representantes da “Junta Nacional de Mundo Afro “- Montevideo

O projeto foi aprovado por unanimidade no dia 11 de agosto pela Câmara dos Deputados e encaminhou ao Executivo para sua promulgação. A regulamentação da norma entrará em vigor em, no máximo, 90 dias.

A lei "não é uma solução mágica para a discriminação, mas pretende ser uma ferramenta que irá ajudá-lo a lutar contra isso", disse o deputado Julio Bango, representando a Frente Ampla no poder (esquerda).

No que diz respeito à discriminação racial, Bango distinguiu entre os valores que se baseia a discriminação individual e estrutural que está enraizada no país, que visa erradicar a esta norma e leva "a pessoas afrodescendentes no Uruguai ter menos mobilidade social”, que o resto da população.

Claudia de los Santos, diretora da organização Mundo Afro, disse que a situação socioeconômica do grupo é "muito diferente do resto da sociedade", uma vez que muitas mulheres "continuam a trabalhar no serviço doméstico e que é difícil para jovens conseguem emprego por sua origem, é algo discriminatório.”.

De acordo com o último censo populacional realizado em 2011, os afrodescendentes no Uruguai, que têm sua origem nos escravos que vieram para o país da África na época colonial, representam 8% da população, ou cerca de 300 mil, e 40% dessa população está abaixo da linha da pobreza, quantidade superior a 50% para os jovens menores de 18 anos.

A lei também faz um reconhecimento histórico da discriminação de afrodescendentes no país e estudar "o papel da comunidade no desenvolvimento do Uruguai", disse o Deputado Bango.

O diretor da “Asesoría Macro en Políticas Sociales del Mides” Andrés Scagliola refletiu que hoje não há qualquer medida similar. "O que se encontra no Estado, é encontrar afrodescendentes em cargos e serviço mais baixos, reproduzindo este padrão também no mercado privado, basicamente inseridos nos serviços domésticos e tarefas manuais como a construção civil e sendo mal pagos ".

As políticas sociais "têm afetado a população negra porque é a que mais sofre tanto na pobreza, como na miséria”. Esta lei introduz uma nova perspectiva que uma ação afirmativa.

A lei retornou aos Deputados e teve que ser aprovada novamente com as mudanças ocorridas no Senado. Estes incluem a duração, que havia sido inicialmente fixada em 10 anos e se transformaram em 15 anos. Após este tempo, irá apresentar um relatório que analisa os resultados e as taxas reais de inclusão da comunidade. O critério para a escolha da população que está incluído nesta regra será a autodeterminação, ou seja, a pessoa é que deve declarar quando se considera afrodescendente.

Afro-uruguaio refere-se a uruguaios de ancestralidade negra africana. Eles são mais encontrados em Montevidéu.

História dos afro-uruguaios

A literatura acadêmica do Uruguai negligência a presença e o papel dos africanos no desenvolvimento da nação. Os afro-uruguaios contribuíram muito para a economia do seu país, sociedade e cultura.

“Llamada” of Candombe – 2013 Pam Harris

“Llamada” of Candombe manifestação cultural originada a partir da chegada dos escravos da África.

Trazidos como escravos tornaram-se soldados de infantaria, e artesãos fazendo o desenvolvimento econômico do Uruguai entre os séculos XVII e XIX. Os africanos uruguaios foram os soldados cujo sangue e sacrifícios forjaram um Estado-nação independente de uma colônia espanhola, a independência que defenderam de invasores estrangeiros, primeiro a Grã-Bretanha e depois do Império do Brasil (Província Cisplatina) , durante as primeiras décadas do século XIX. Afro-uruguaios foram os músicos, escritores, e artistas cujas obras enriqueceram, iluminaram, e entretiveram seus cidadãos da época colonial até hoje.

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes: La Razón / El Pais Montevideo / Wikipédia

10 de agosto de 2013

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